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Os vampiros de ASOIAF não são realmente vampiros

2020.08.23 06:45 altovaliriano Os vampiros de ASOIAF não são realmente vampiros

A palavra vampiro é mencionada diversas vezes, em geral para falar de coisas que ocorrem fora dos sete reinos.
Os selvagens eram homens cruéis, dizia, escravagistas, assassinos e ladrões. Faziam amizade com gigantes e vampiros, raptavam meninas na calada da noite e bebiam sangue m cornos polidos.
(AGOT, Bran I)
...
Era o fim do mundo, dizia sempre a Velha Ama. Do outro lado havia monstros, gigantes e vampiros, mas não podiam passar enquanto a Muralha se mantivesse em pé.
(ASOS, Bran IV)
...
“Do outro lado dos portões vivem os monstros, e também os gigantes e os vampiros”, lembrou-se de ouvir a Velha Ama dizer, “mas não podem passar enquanto a Muralha se mantiver forte. Portanto vá dormir, meu pequeno Brandon, meu garotinho”.
(ASOS, Bran IV)
...
A luz verde do fogovivo banhara o rosto de quem assistia, fazendo-os parecer-se com cadáveres em putrefação, uma alcateia de alegres vampiros, mas alguns dos cadáveres eram mais bonitos do que os outros.
(AFFC, Jaime II)
...
Este mundo está cheio desses contos loucos. Gramequins e snarks, fantasmas e vampiros, sereias, gnomos, cavalos alados, porcos alados... leões alados.
(ADWD, Tyrion III)
...
A princesa Nymeria permaneceu com os navios em Zamettar, uma colônia ghiscari abandonada há mil anos, enquanto outros fizeram seu caminho rio acima até as ruínas ciclópicas de Yeen, refúgio de vampiros e aranhas.
(TWOIAF, Dez mil navios)
...
Duas das novas cidades em Ponta Basilisco foram saqueadas por traficantes de escravos, com toda a população passada na espada ou arrastada em correntes, enquanto Yeen teve que conter ataques dos vampiros listrados das profundezas das selvas.
(TWOIAF, Dez mil navios)
...
Mais ao sul, as armadilhas da civilização caem por terra, e os Homens Tigrados se tornam mais e mais selvagens e bárbaros. Esses sothori veneram deuses sombrios com ritos obscenos. Muitos são canibais, e mais ainda são vampiros; quando não podem se banquetear da carne dos inimigos e estranhos, comem sua própria morte.
(TWOIAF, Sothoros)
Algumas vezes são apenas para distinguir espécies de morcego que se alimentam de sangue.
– Esta noite – disse Skahaz mo Kandaq. O rosto de bronze de um morcego vampiro surgiu por baixo do capuz do manto de retalhos.
(ADWD, O Derrubador de Reis)
...
Doze níveis abaixo, encontrou o Cabeça-Raspada esperando, as feições grosseiras ainda escondidas pela máscara que usara naquela manhã, do morcego vampiro.
(ADWD, O Derrubador de Reis)
...
Mais ao sul estão as regiões conhecidas como Inferno Verde, onde dizem que vivem os animais mais temíveis. Lá, se os contos são verdadeiros, há cavernas cheias de morcegos vampiros brancos que podem drenar o sangue de um homem em minutos.
(TWOIAF, Sothoros)
Ocorre que somente quando esta se referindo aos morcegos, a tradução esteve ligeiramente próxima da verdade. O morcego branco de Sothoryos é chamado de vampire bat (animal que existe em nosso mundo), mas o morcego das máscaras das bestas de bronze é chamado de blood bat, o que torna aceitável que o chamemos de morcego vampiro. Entretanto todas as outras menções estão bem mais longe do significado do texto em inglês.
A palavra usada em inglês dos primeiros exemplos acima é Ghoul e não Vampire. Ghoul é definido pelo Merriam-Webster como sendo “uma criatura maligna lendária que rouba túmulos e come cadáveres” e é uma palavra de origem árabe. A palavra aparece como equivalente de vampiro no Google Tradutor, mas este software também o chama de “canibal”, “o espírito que ataca cadáveres” e mais curiosamente de “o espírito dos contos orientais”.
De fato, um Dicionário de Arabismos da Língua Brasileira lista “gênio” e “aparição” como significados de gûl (forma não anglicana da palavra, suponho) e “guli”, “goula” e “gula” como equivalentes. Ainda assim, segundo a wikipedia é comum que o termo seja traduzido como “carniçal” ou “vampiro” em edições brasileiras de obras de fantasia, como Harry Potter e The Witcher (jogo eletrônico).
Ironicamente, as próprias Crônicas de Gelo e Fogo tem outras traduções para o termo ghoul que não “vampiros. Isso provavelmente é fruto da má qualidade da tradução feita pela editora Leya.
Para lá da Muralha vivem monstros, os gigantes e os fantasmas, sombras que perseguem pessoas e mortos que andam, ela dizia, enfiando-o embaixo do cobertor de lã áspera, mas eles não podem passar para cá enquanto a Muralha permanecer forte e os homens da Patrulha da Noite permanecerem fiéis.
(ADWD, Bran I)
Os fantasmas aí são ghouls.
Seis séculos vieram e se foram desde aquela noite, mas Durolar ainda era evitado. Os selvagens haviam retomado o lugar, Jon soubera, mas patrulheiros afirmavam que as ruínas recobertas eram assombradas por espíritos que atacam cadáveres, demônios e fantasmas ardentes com um gosto doentio por sangue.
(ADWD, Jon VIII)
Esta tradução extensão de ghouls possivelmente ocorreu em razão de a palavra fantasma já ter sido usada para “fantasmas ardentes” (burning ghosts, no original). Mas isso também revela que o responsável pela tradução sabia o que eram ghouls e vinha traduzindo como “vampiros” ou “fantasmas” de forma deliberada.
Mas, enfim, o objetivo aqui era mostrar que os vampiros que conhecemos não são criaturas do folclore de ASOIAF. E que os “vampiros” citados nos livros são apenas problemas de tradução.
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2020.08.15 18:37 Lucas_D_Soares Os Dois Lados da Mesma Moeda...

Fala seus lindos, maravilhosos e cheirososo cheios de amor, muito importantes para todos. MInha internet caiu e decidi escrever um pouquinho, espero que gostem e reflitam talvez.
Eu noto algumas coisas sem sentido às vezes, mas que depois tem muito significado.
Se quiserem me avaliar, fiquem a vontade, aberto a criticas.
Os Dois Lados da Mesma Moeda!
Que vivemos em uma sociedade capitalista, isso não é novidade para ninguém, mas os efeitos, sejam bons ou ruins, não serão sentidos por todos, isso é um fato. Quero compartilhar algo que notei e como uma palavra que grande parte daqueles que vivem no meio de tal sistema nem sabem o que é influência tanto nas vidas e criação das pessoas, como um todo. Às quintas-feiras tenho trabalhado como ajudante numa pequena barraca de temperos. É uma feira noturna, a maioria dos produtos lá vendidos são churrascos, pasteis, bolos, doces, e algumas bijuterias etc. Algumas vezes ela está sem movimento e outras, algumas barracas faltam, às vezes. E foi no lugar de uma barraca de doces, que se estabeleceu um trio de crianças: dois garotos e uma garota. Um dos dois meninos era provavelmente o mais velho dentro do grupo, talvez tinha uns 12 a 13 anos; a menina por sua vez deveria ter uns 10 a 11; quanto ao caçula, no máximo uns 8 anos. Esse infame trio, como todos os outros adultos ali presentes, queriam vender seus produtos: maçãs do amor, espetos de morango banhados em chocolate e algumas balas de menta, aquelas verdes de goma, vendidas num saquinho bem pequeno, com certeza eles tinham concorrentes! Eles ficaram estacionados ao lado duma barraca de frutas, utilizando caixotes do vizinho como mesa e cadeira. Sinceramente, se venderam 10 coisas de suas caixas de isopor fora muito, mas ali ficaram até umas 22h. Do lado oposto á eles, a barraca vizinha há minha, o nosso companheiro de feira vendia brinquedos, que era para aqueles três, e para todas as crianças que passam por lá, algo lindo e fantástico de se apreciar. Mesmo gritando(ou melhor, tentando), para chamar a atenção de seus possíveis clientes, vira e mexe seus olhos iam de encontro aquelas obras de plástico que continham luzes e sons atraentes a todos. Um olhar de desejo, e desejo distante. No mesmo lado em que se encontravam, um pouco mais longe tem uma imensa barraca de churrasco, e meu povo, parece que ninguém mais se importa com Covid, seja 19 ou 1000. Durante aquela noite, mais uma família chega ali para comer algo que pode ser feito em casa com segurança e conforto. Eram dois casais: O pai e a mãe, e dois filhos, os quais aparentavam ter a mesma faixa etária que os dois mais novos vendedores de doces. Esse par de bem-vestidos, enquanto seus pais estavam na mesa aguardando seu pedido, foram visitar o “parque” de brinquedos chamativos, na esperança de levar alguns para casa. Eles eram iguais aos que estavam do outro lado com o mesmo desejo, porém, esses, nem gastavam os esforços de visitar a barraca, pois sabiam que nada levariam dali, seria inútil desgastar mais ainda seus chinelos de tamanhos desproporcionais a seus pés ou arriscar rasgar suas roupas que, muito provavelmente, outrora, pertenceu a outro dono. Escrevi tudo isso para chegarmos nesse ponto: dois pares de crianças; com quase as mesmas idades; dos mesmos sexos; no mesmo lugar;. um par observara tudo aquilo de longe, enquanto o outro tocava e experimentava todos aqueles brinquedos chamativos; um tinha certeza de que não o teria, o outro gritaria para seus responsáveis na grande possibilidade de obter; os mesmos desejos, oportunidades e vidas completamente diferentes. Apesar das igualdades, a quantidade de papel vindo de uma fabrica dum lugar que poucos sabem onde fica, determina seus destinos, suas vidas, seu crescimento, tudo... Eu só tenho a agradecer a Deus por poder hoje ter um celular e um computador para passar esta informação, pois apesar de tudo o que somos ou o que queremos ser, o dinheiro que determinará o quanto teremos que nos esforçar para conquistar o que queremos, que horas iremos chegar em casa, que horas acordaremos, atrás de qual volante iremos ir ao trabalho ou ir passear, tudo isso que foi definido por pessoas que nunca falamos, que só conhecemos por vista na internet, televisão ou livros de historia. Um dia um homem depois de perceber que tinha muita comida, decidiu fazer trocas, depois outro decidiu vender, e esses homens que só Deus sabe quem são definiram o nosso hoje, definiram por onde você lê isso, definiram até as amizades e felicidades que você tem e compartilha. No mover e no falar de um homem, muitas vidas perecem e nascem, tem sucesso ou fracasso, naquilo que você escolhe fazer, o mundo todo pode mudar. O mundo esta em nossas mãos, basta move-las para o lugar certo que encontraremos a felicidade ou tristeza, o sucesso ou fracasso, nossos sonhos ou mortes...
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2020.06.30 10:51 alteregoshadow Resumo do resumo preguiçoso do bug interno

A formatação vai ficar um lixo por motivos de bug No momento estou tentando bater meu recorde de 72h em jejum, enquanto aproveito mais uma ótima madrugada sozinho na cozinha escura ouvindo o tic tac do relógio de parede comprado na lojinha de 1.99 Até que me lembro de quando o meu eu do passado chorou na minha frente, e eu não consegui resistir e comecei a chorar também Ele me disse que tinha medo de sentir dor. Dei um abraço bem forte nele, falei pra ficar tranquilo. Já passamos por tanta dor juntos Já jogamos airsoft na linha de frente tomando tiro pra caralho, já caímos morro abaixo, já comemos três pizzas e tivemos um mini ataque cardíaco... Sei lá, há um tempo atrás eu prometi a ele que ninguém nunca mais iria mexer comigo de graça Eu ia deixar de ser "bom em nada", e eu ia deixar de ser só mais um saco de pancada (é sempre muito fácil transformar uma criança num saco de pancada, né?) Enfim, minha jornada continuava. O meu eu da época das sombras foi recomendado por um anônimo de fórum da ""deep web"" a fazer academia e se livrar dos vícios. Meu eu daquela época nunca fez isso, tive que fazer por ele Calma... por que estou digitando isso aqui? Eu nunca gostei desse lugar. Acho a comunidade brasileira do Reddit muito chata e fresca. Mas eu também sou chato e fresco kkkk talvez exatamente por isso esteja aqui Resolvi criar uma conta agora, entrava só como visitante de vez em nunca, até pq nunca tem nada de interessante aqui. É quase sempre os mesmos tópicos falando ou de relacionamento ou solidão Mas esse não é o primeiro tópico que faço aqui... Já fiz um falando sobre como estou fazendo minha carta de suicídio kkkkk A carta de despedida (o suicídio lá nem é explícito) é apenas um pedido da minha sombra Não quero me matar pelo menos não por enquanto Muito leviano da parte de vocês redditors ao fazerem aqueles comentários no meu post. Mas não os julgo tbm, não há muito oq esperar de uma comunidade chata e fresca kkkkkk Lembrei em 2018 quando tive um amigo virtual nos tais fóruns da ""deep web"" (* som de fantasminha genérico *), ele era bem carinhoso comigo, já me deu um jogo de presente na steam; porém certo dia eu forjei minha própria morte, e passei a ignorá-lo completamente, sinto-me um cusão por ter feito isso, pelo menos é cômico voltar de tempos em tempos naquele fórum com uma conta fake e ver que o pessoal lá realmente acha que eu morri... meio sinistro na vdd Mas ainda assim sinto que não deveria ter feito isso, fico com a consciência pesada muito facilmente, lembro-me até hoje de quando roubei uma balinha no mercadinho do seu zé da esquina, tinha uns 12 anos; ou então no primeiro ano do ensino médio quando estava zuando uma amiga que tirou nota vermelha em física, mas ela começou a chorar... ver aquilo partiu meu coração, e para minha redenção decidi que seria justo ajudá-la a recuperar a nota, afinal além de tudo eu tinha as maiores notas de física da turma. Assim que ela recuperou a nota, voltei a zuar ela kkkkk mas nunca deixou de ser minha amiga por isso; uma vez já escreveu bem grande na contracapa do meu caderno de matemática "alteregoshadow, eu te amo". Guardo esse meu caderno até hoje (tudo bem que alguns dos meus amigos resolveram encher a página de desenhos de pinto, porém a frase ainda está lá) Eu fui meio pestinha na época de escola, em especial nos últimos anos do fundamental, uma vez eu fiquei acumulando saliva na minha boca por horas e depois soltei toda a cachoeira na mesa do meu amigo que sentava atrás; ou quando eu ficava pegando um monte de barata e lagartixa morta pra colocar nos estojos das meninas Sabe, sinto falta dessa época. Nem muito pelo motivo clichê de época da escola, simplicidade e tal, mas mais pq acho que foi a época em que eu fui a melhor versão de mim Um amigo meu mora num lugar bem isolado, tipo um sítio mesmo, mata densa e tal. A gente ia lá vez ou outra pra brincar, e era bem dahora. Esperávamos chegar a noite pra fazer o clássico pique esconde na floresta escura. Eu era conhecido por ser um dos melhores, não me encontravam nunca, até pq eu não tinha medo de me deitar e rolar no mato; saía correndo engolindo teia de aranha, lesma, pisando em cobra, enfim Era conhecido também por ser muito bom nos videogames e tirar as maiores notas da sala Aquilo definitivamente era a concretização da promessa que fiz ao meu eu de um passado ainda mais distante: disse que ia estudar mais, treinar mais, ser mais sociável E tudo isso aconteceu. Fiquei mais inteligente, mais forte, mais ágil, e do aluno mais "fantasma" da escola me tornei o líder de um grupo que reunia basicamente todos os garotos da oitava série. Ninguém mexia comigo, mas também nunca fui autoritário, zuava todo mundo e era zuado de volta. Certa vez a turma se uniu contra mim e jogaram todo meu material no lixo kkkkkk ri muito no dia Mas depois disso... sei lá Passei a frequentar academia, vez ou outra estudava um pouco, mas nada na mesma intensidade ou emoção A real é que eu passei toda minha infância sozinho na vdd. Meus pais trabalhavam o dia todo e meu irmão mais velho estudava em tempo integral. Na época teve um grande surto de dengue na minha cidade, por todo lado era cartaz falando da importância de tomar cuidado, afinal, dengue MATA. Aquilo me deixava demasiadamente pensativo, como assim morte? Eu nasci pra morrer? O que vem depois? Todo dia era a mesma coisa, chegava da escolinha e passava o dia inteiro pensando em morte, isso com uns 5 anos de idade. Pouco tempo depois, a situação piorou quando começaram as histórias de fim do mundo. Lembro que até chorava de tanto pensar nisso. A primeira vez que pensei na possibilidade de suicídio tinha uns 8 anos. Também nessa época foi quando presenciei um acidente em que um caminhão passou bem por cima da cabeça de uma menininha de uns 2 anos. Aquilo me marcou muito, e quando eu cheguei em casa, esperei todo mundo dormir para ligar o computador e pesquisar "fotos de cérebro", "fotos de acidente" e etc. Acabei parando em vários blogs e fóruns de gore (que eram bem mais comuns naquela época). Ficava assustado ao ver a fragilidade humana nos acidentes e pasmo ao ver a frieza de alguns para torturar outras pessoas por motivos torpes. Ainda assim, assistir gore acabou se tornando uma prática que levo até hoje (com menos intensidade), não por ser um psicopata que gosta de ver a dor e sofrimento alheio mas pq acaba me lembrando das minhas "origens", pensar sobre a morte e etc (todo mundo já deve pelo menos ter passado por uma situação em que sabe que vai se frustrar ou enraivecer mas mesmo assim segue em frente, é mais ou menos isso). Para morrer basta estar vivo, foi nisso que me toquei na época Posteriormente, com 10 anos, foi o momento em que fiz aquela promessa para mim mesmo. Não darei muitos detalhes aqui, e oq aconteceu logo depois já contei... Mas e após tudo isso? Bem, depois que o meu "auge" se foi, eu percebi que todos esses pensamentos ruins na vdd não sumiram, apenas estavam se escondendo. Quando voltaram, foi de uma vez. E ao invés de tentar lidar com isso de uma maneira normal, eu simplesmente achei que seria uma boa ideia dividir minha mente em partes. A maioria de meus alter egos são na verdade versões de eu mesmo porém em diferentes épocas. Porém também tem a minha sombra (pra quem conhece o conceito de Sombra do Carl Jung talvez entenda melhor isso). E oq aconteceu foi que, eu acabei criando egos que brigam entre si constantemente, deixei todas as minhas características positivas a um ser superior, idealizando um eu melhor que eu, um eu que agarrou todos seus potenciais e os explorou ao máximo, uma pessoa que eu nunca conseguiria ser porém dizia ser no mundo internético afora. Estava mentindo para mim mesmo Sabe, cada um dos meus alter egos têm uma qualidade. Um é bondoso, tem o inteligente, o criativo... porém parece que o que sobrou para mim foi apenas loucura. Poxa, eu já fui cada um deles, por que não consegui pegar pelo menos uma parte boa de cada um? Parece que eu regredi. O certo não seria, ser uma pessoa melhor a cada dia? Se eu ao menos pudesse juntar a bondade, criatividade, inteligência, e etc, eu definitivamente iria orgulhar o meu eu do passado, mas ao invés disso, estou apenas enganando ele e a mim mesmo, colocando todo meu potencial num alter ego superior que me consome a cada dia É complicado, por um lado tem a promessa que fiz que me mantém vivo, querendo cumpri-lá. Mas por outro, eu vejo eu mesmo desprovido de significado, tenho uma vida boa, bons amigos, situação financeira estável, minha família não gosto tanto mas relevo, enfim, mas parece que nada me é suficiente. Sinto que a vida é só um tédio extremo mesmo, até em momentos que era pra eu me divertir estou entediado, ou então quando de fato me divirto, depois o sentimento de vazio vem ainda maior, não dá pra explicar com palavras, o que posso dizer é que sou extremamente curioso, o que me atrai ao suicídio é o fato de ser uma morte planejada, eu poderia saber quando e como morrer, preparar uma carta de despedida, fazer uma "queima de arquivo" e etc, mas por outro lado, eu ficaria extremamente agoniado em não saber qual seria a reação das pessoas diante minha decisão. É literalmente a curiosidade o que mais me mantém vivo, e por vezes, a curiosidade de saber como seria meu suicídio é a predominante E não falo de tristeza ou depressão, sei lá eu nunca fui atrás de um profissional, mas eu sinceramente não acho que tenha depressão, no máximo TDAH pois de fato sou muito hiperativo e perco o foco muitas vezes, tropeço algumas vezes e (não sei se tem muito a ver) às vezes tenho a sensacão de que estou girando ou caindo, principalmente quando eatou sentado ou deitado em um ambiente escuro, mas assim, eu acho que a vida, especialmente hoje em dia e ESPECIALMENTE para pessoas como eu, é assim mesmo. Eu não preciso estar depressivo para sentir como a vida realmente é, e sinceramente tô cada vez menos ligando pra isso. Eu aprendi desde muito cedo a lidar com silêncio, solidão e tédio(esse é o mais difícil), além do mais tenho imaginação fértil então o meu maior passatempo (entretenimento, hobby chame como quiser) é só me perder na minha mente mesmo. Poxa, tem um universo inteiro dentro de mim para ser explorado, não quero me preocupar com coisas mundanas. E pra quem me critica, dizendo que isso é fugir da realidade, pensem que TUDO (ou quase tudo) que o ser humano faz no tempo livre é exatamente para fugir da realidade. A vida real é meio chata né kkkkkk. Jogar videogame, assistir filme/série que seja, jogar rpg de mesa, ler um livro, ouvir um audiobook ou podcast ou até mesmo uma festa com bebida e música alta, tudo isso serve para as pessoas fugirem da realidade, mas diferente do que eu faço, já que eu fujo da realidade mas pelo menos não fujo de mim mesmo Eu fujia de mim mesmo no último ano do ensino médio, sabe né, aquele ano que ngm liga. Ia e voltava pra escola a pé, e sempre passava na lojinha pra comprar chocolate, me viciei naquilo. Sempre comia no caminho e colocava a embalagem na mochila. Até que resolvi contar quantas embalagens tinham e pasmém, quase 80, isso em um pouco mais de 2 meses Sempre tive um mundo onírico muito vivo, desde criança bem pequena, sinto os meus sonhos de fato, lembro quando tinha uns 6 ou 7 anos sonhei que um guerreiro samurai atravessou a longa katana no meu peito e foi uma das maiores dores que senti. Tento às vezes praticar sono induzido, dou risada dormindo, falo dormindo e por vezes até escrevo ou desenho dormindo (não sou sonâmbulo). Comecei a perceber que boa parte dos meus sonhos envolvem meus alter egos, e na maioria das vezes estão em um ambiente fantasioso (como uma mansão ou castelo mal assombrado, cemitério, labirinto e etc) e precisam trabalhar juntos para resolver os puzzles e escapar Na maioria dos sonhos eu não sou o protagonista ou sequer participo, apenas observo os meus egos, em terceira pessoa Muitas das vezes a minha sombra mata os meus egos nos finais dos sonhos É muito simbolismo envolvido, ainda estou pensando sobre isso, pode ser uma autosabotagem (suicídio) ou então algo do tipo matar o velho para manter o novo, eu não sei Se tem uma coisa na qual eu posso ser grato, é por ter tido sorte para arranjar bons amigos. Sei que muita gente (em especial desse sub) deve ter mais dificuldades com isso, eu por outro lado, apesar de nem precisar tanto pois me dou bem comigo mesmo e na maioria dos momentos até prefiro estar sozinho, tive bons amigos. Às vezes é bom ter uma boa companhia. Aquele meu grupo da oitava série que falei anteriormente, mantenho contato com quase todo mundo, ainda considero sim porém cada um seguiu seu rumo e não tem nada de errado ou anormal nisso. Acho que muita gente que sempre teve dificuldade em fazer amigos cai no erro também de romantizar demais a amizade, do tipo "seremos amigos para sempre" ou sei lá mais oq. É completamente natural que com o tempo o afastamento ocorra, não precisa se sentir mal se as conversas não fluem mais Inclusive uma vez mandei uma mensagem para um amigo não se preocupar comigo pois em no máximo 5 anos provavelmente não iríamos mais nos falar de qualquer maneira, e ele respondeu: "Como assim com certeza continuaremos a nos falar e jogar Airsoft e RPG por muito anos a vir!". Admito que quase chorei lendo isso, e me senti fraco Mas continuando, em especial na internet, existe muito isso. Às vezes vem alguém desabafando por não ter amigos, recebe várias mensagens de pessoas para conversar, porém essas mesmas pessoas depois dão o famoso "ghosting". Olha, isso é bem previsível na verdade. Apenas faça a si mesmo a seguinte pergunta: "Quantos de seus amigos virtuais seriam seus amigos se você os conhecessem no mundo real, ao invés de no mundo virtual?". É apenas um questionamento, mas acho interessante. Pois é muito fácil falar que é amigo de qualquer um na internet Inclusive, entrei num servidor público de discord, daqueles só pra conversar e tal, e pqp parece que é impossível achar um servidor de discord em que a userbase não esteja repleta de adolescentes genéricos que têm problemas de autoestima e passam o dia jogando videogame ou assistindo filme/série/anime, tinha mto pré adolescente tbm de idade entre 11 até 14 anos Não ficava muito a vontade lá, as regras tbm eram muito vagas, não podia ser ofensivo no chat mas não estava definido oq era ofensivo pra staff. Levei um aviso simplesmente pq um adm lá quis, ainda não entendi que regra quebrei, ele provavelmente só estava de mal humor mesmo sla Tinha um canal de desabafo que só podia falar "coisa séria", aí uma vez falei sobre como fico puto por comer muito chocolate e queria mesmo era encher minha perna com tiros de airsoft, aí levei outro aviso por não respeitar a seriedade do canal. Sla né, autosabotagem não é uma coisa séria pra ele? Foda, muita arbitrariedade. Não tem como arranjar um servidor público decente. Sempre tem uma userbase majoritariamente imatura, joguinhos e eventos sem graça e confusos, enfim Mas oq eu queria fazer naquele servidor, eu fiz aqui. Provavelmente não da melhor maneira, certamente não da maneira como eu imaginava, mas está feito Ficou confuso e grande pra caralho lol
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2020.05.25 15:28 iorekbirnison2077 Mulheres vcs realmente gostam de homens mais altos?

Tenho 15 anos e sou bem alto. tenho 2,02m pra ser exato. Meu corpo pode se dizer que é definido. Faço musculação e Muay Thai. Porém sou inseguro. A maioria das meninas do meu colégio tem 1,6 ou 1,5m. Fico receoso de chegar nelas e até nas mais altas tb. Já fiquei com uma garota. Mas foi a muito tempo. Talvez eu chegue a 2,10m segundo meu treinador.
Enfim queria uma opinião feminina se puderem me ajudar agradeço.
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2020.01.02 00:59 lilvalgreen Meus problemas se tornaram uma bola de neve

Pois então colegas, tem um certo tempo que não posto aqui, estava tentando ser um cara mais positivo e menos focado nos problemas e de certa forma isto estava me ajudando a viver.
Mas como sempre parece que meus problemas se tornaram uma bola de neve e independente de onde eu for eles irão resurgir uma hora ou outra, isso está me desgastando bastante.
Não gosto muito do meu emprego, ele é fora de minha área de formação, paga mal e trabalho muito. Mas é aquela coisa, dada a situação atual do país temos que agradecer por ter um emprego, sendo ele bom ou não (o que de certa forma é lamentável).
Para piorar contrataram minha ex para trabalhar comigo, o que deixou meus dias de trabalho bem tensos. Depois de muita conversa com meus chefes consegui convencer eles e irão mudar ela ou eu de unidade (ainda não foi definido).
Sempre tive problemas com mulheres e autoestima, acho que acredito muito em contos de fadas, aquela coisa recíproca que você se doa para pessoa e ela por você, e apenas se realmente não tiver como eles se separam. Constantemente me comparo com os caras que ficam com as meninas que eu tomei fora e fico me perguntando, o que falta em mim para ser a primeira opção.
Eu me dôo completamente a alguém quando gosto daquela pessoa, o problema é que eu me apaixono muito rápido e nem sempre a pessoa está no mesmo pique do que eu. Sofro de ansiedade generalizada então o tempo sempre foi um dos meus piores inimigos, as vezes o que é rápido para os outros para mim parece uma eternidade.
Virou costume as mulheres me dispensarem ou sequer chegar a se envolver comigo dizendo que temem que eu me magoe, essa é uma frase que me faz me sentir péssimo. Toda vez que começo a gostar de alguém eu começo a me sentir ansioso, meio que minha mente assimila o que vai acontecer.
Minha vida profissional está um lixo, minha vida amorosa está um lixo, minha ansiedade está um lixo. Queria nascer e recomeçar do 0, parar de pensar todos os dias no que vai acontecer quando morrermos e quando vai ser, queria conseguir curtir um dia de cada vez e ter mais autoestima e principalmente, ter paciência para esperar as coisas acontecerem... Sei exatamente o que quero, mas minha cabeça não coopera comigo.
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2019.11.23 23:45 Guilher3010 Inveja + Não ter namorada + Virgindade + Emoção no controle + Ensino médio + Ignorância + Gestos/palavras obscenos(as) = A MERDA.

Esse seria o resumo mais definido possível sobre o que eu estou passando nas minhas últimas semanas e provavelmente vou sofrer mais. (a maldita romantização do sofrimento)
No segundo trimestre, decidiram que seria uma boa ideia mudar de sala de aula por que está começando a encher demais, e mudaram de sala para uma sala do segundo ano e como se não fosse o suficiente eu ficar longe de um grupo que eu participava (não exatamente longe, sempre sento na frente e estavam perto, só que ficou desorganizado), decidiram mudar de direção da própria sala, e agora eu sento numa cadeira tão ruim que definitivamente me sinto ofendido só de eu vir nesse lugar. (e obviamente o meu grupo estava perto, só que supondo que me "expulsaram")
Atualmente estou longe desse grupo e tento falar ou juntar de volta, mas só dá problemas e agora estou em um outro grupo que por sinal me acolhem e eu, como uma cabeça dura, tenho que voltar nesse grupo que me expulsaram por não saberem lidar eu mesmo só por terem medo de cuidarem um autista. (que sim, você vai dizer: AI GUI, DEVIA ESTAR NESSE GRUPINHO QUE TE ACOLHE TANTO E BLÁ BLÁ BLÁ...)
Como se não fosse o suficiente, eu fui dominado pela emoção e eu nem deixei ela dominar, é sério, olha as atrocidades que a emoção fez!
Agora já era, agora eu ganhei fama de o monstro da turma, perdi o respeito de muitas pessoas, quem sobreviveu a minha falta de respeito foram o grupo que me aceita e agora eu tenho vontade de mudar de escola, se não der, que eu mude de estado, ou país, ou em um planeta.
Agora é o fim de mim por que eu sou virgem, se eu não tivesse autismo, não estaria sendo macho beta ou algo do tipo, não estaria lendo livros, as sessões de psicologia seriam inúteis para mim, não estaria na virgindade, não estaria esperando, mas eu tenho que ter essa doença e nem consigo aceitar que eu sou autista, não consigo namorar uma menina por causa das exigências da vida, não consigo falar com as pessoas, não consigo controlar a minha raiva, não consigo curar a ansiedade, não consigo ser positivo, não consigo nada por eu ser agressivo demais e muito cabeça dura, ou seja, me fodi.
Bem, é só isso que eu quero falar, agora vou ficar preso nesse período de merda sem ser feliz nas férias e ainda tenho que vir em janeiro para ver as pessoas que eu estraguei.

Tchau pessoal, agora vou sair por que estou com raiva.

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2019.06.20 03:38 -Galactic_Cat- me tornei o amigo "tanto faz" ou ela superou?

As vezes penso que tornei aquele amigo q ninguém se importa mt, quando sai o grupo ninguém chama, quando junta a rodinha todo mundo ignora, só conversa quando lhe convém...depois de um tempo deixei de me importar e me dediquei a mim msm, isto é, estudar e aprimoramento emocional. Mas eu n me reconheço mais, hoje eu vi uma foto de uma amiga (ela tinha/tem depressão eu acho) junto de uma panelinha da sala e eu me perguntei como eu to me relacionando com ela, e percebi que eu n tenho puxado mt papo, n faço contato visual quando conversamos, n dou mt moral quando ela faz draminha por falta de atenção. Eu devia ter superado mas fica uma lacuna, é tudo muito estranho, sempre que posso eu fico encarando a beleza dela...cabelos castanhos...pele clara...sorriso definido e quando ela olha pra mim eu do uma risadinha pq ela fica sem graça.
Talvez ela tenha superado esse tipinho espúrio(aqui espúrio quer dize: pessoa falsa) meu, uma característica utilitarista virulenta q se espalha por todos, percebi isso depois q um amigo meu começou a tentar dar umas investida nela (muleque é um vagabundo q n sabe merda nenhuma) coisas do tipo: puxar cadeira do lado e começar com conversas supérfluas, muitas vezes repetitivas e sem nenhum climax; ficar fazendo graça pra agrada; ficar mandando migué... mas eu acho que ela se cansa e logo ignora ele, e eu sempre me mato de rir quando ele fica isoladão sem ter o q falar. No fim todos sabemos q ele vê ela como uma "coisa em volta de uma vagina", e essa "coisa" esta frágil...(SIM ESSA COISA NOJENTA DE SE APROVEITAR DE MENINAS EM ESTADO FRÁGIL EXISTE E É UM ABSURDO)
Sei sempre que lembro dela isso me vem a cabeça e me deixa encucado até voltar aos meus afazeres, como eu amo aquele cabelo castanho e sedoso, alguma coisa me diz q ela é descendente de italianos...
OBS:pfv me digam o que vcs acharam da coesão do meu texto?
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2019.06.13 18:45 euamocachorros79 Nietzsche e o mito

Se você, através de algum dispositivo infalível, obtivesse a certeza de que o tempo é uma ilusão, e que todo e qualquer ato vivido até agora, os que serão ainda experimentados e até mesmo o presente momento em que seus olhos percorrem essas linhas, coexistem simultaneamente no mesmo ambiente, o que faria? Mais do que isso, encararia esse fato como uma condenação ou como uma benção? Como você escolheria viver, tendo a noção de que seus atos ecoarão pela eternidade para ouvidos ausentes?
Paula pensava saber a respostas para essas questões até sentir o solavanco da pistola semiautomática, calibre 9mm, em seu pulso, antebraço e ombro. Assim que o cheiro de pólvora e ferro tomou de assalto suas narinas e pulmões, disparando sinapses necessárias para reconhecer o que ocorrera, a boca, seca até então, começou a salivar no prenúncio atávico do vômito causado por choque. A mão suada e fria deixou escorregar a pistola até a mesma produzir um som vazio e seco ao encontrar-se com o chão. Paula não ouviu, seus ouvidos imersos num zumbido agudo e incessante.
A arma é um objeto inanimado, com partes móveis, capaz de produzir um resultado final coeso e definido desde que matéria-prima e demais entradas sejam ordenadas de maneira adequada. Movimento é vida. O disparo oriundo da pressão sobre o gatilho, o deslocamento do cão, a explosão controlada, a trajetória do projétil, todos movimentos. A pistola, ainda que brevemente, vive. Armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas. O ciclo da vida repete-se, novamente e mais uma vez.
Os vidros protegidos por película escura escondem o interior do carro, ao sair do condomínio fechado na Zona Oeste da cidade. Melhor assim, uma vez que ninguém deveria ver uma mulher tentando controlar as lágrimas e retomar o controle da própria vida. A tensão mostra-se péssima carona, desviando o foco do tráfego e quase causando uma colisão entre um motoboy e sua Ranger, ainda na esquina do conjunto habitacional. Ela entende o custo de um possível acidente agora e agradece mentalmente a intervenção divina que a fez acionar os freios a tempo de impedi-lo. Respira fundo e ignora os xingamentos gritados pela quase vítima, enquanto retoma a marcha que a afastará do pesadelo recente.
A pobreza na infância e juventude não impediu sua formatura em Pedagogia numa universidade pública, e posteriormente, uma especialização em filosofia da educação. Paula manifestara interesse em diferentes correntes de pensamento durante sua vida acadêmica. Leitora ávida dos filósofos alemães, americanos, japoneses e dinamarqueses, encontrava acolhimento para suas neuroses e crises de insônia no existencialismo. A falta de uma figura paterna sólida coletava seus impostos à noite, impedindo o sono e imprimindo um ritmo acelerado na busca por aprovação e reconhecimento de homens mais velhos. Ela queria casar, constituir família, ser uma pessoa boa para os que amava e para o restante da sociedade.
O tenente reformado, duro e simples, com um leve desvio na dicção que o fazia soar como alguém que possui a língua presa, sentia-se sozinho após o segundo divórcio. Seus filhos, homens adultos, cada um com seus projetos e ambições particulares, mantinham uma relação afastada e formal, oriunda das regras de casa. Jairo queria atenção, carinho e respeito de uma mulher jovem, submissa e alheia ao seu passado. Não suportava a noção de ter que manter contato civilizado com as ex-mulheres, ingratas na sua concepção, que haviam corrido de casa no instante em que se achavam merecedoras de pensões, incapazes de perceber o quanto ele tolerava suas necessidades por cirurgias plásticas, sessões de massagens linfáticas e uso irrestrito de cosméticos numa tentativa fútil de voltar no tempo.
Fulminados por uma paixão arrebatadora, nove dias após conhecerem-se num debate sobre a gratuidade da educação pública, ela favorável, ele contrário, Paula e Jairo começaram um relacionamento que seria responsável, anos mais tarde, pela geração de uma menina linda e vivaz, Carolina. Apesar da divergência entre seus posicionamentos, viveram em relativa harmonia até o dia em que, tentando se impor em uma discussão doméstica, acerca dos valores a serem ensinados à filha, Jairo soltou a palma pesada contra o rosto, de pele macia e branca, de Paula, entre as quatro paredes do quarto do casal. Em estado de choque, ela não reagiu e os golpes repetiram-se, uma, duas, três, incontáveis vezes. Após a surra, Jairo deixou o quarto e arfando, sobre o ombro, disse:
- Olha o que você me fez “fasser”.
Ela não respondeu, apenas tentava abafar o choro contra o travesseiro, deixando na fronha olhos, nariz e boca molhados numa caricatura horrenda de si. O medo pela segurança de sua filha, a sensação de impotência e o ódio começando a cozinhar um caldo amargo dentro do peito.
No banco traseiro da Ranger, Carolina pergunta para a mãe o motivo de ser buscada mais cedo na escola. Paula, pensando nos seus filósofos preferidos, responde a filha suspirando, o motor do carro num som ritmado, buscando um rumo novo:
- Eu escolhi viver. Te amo filha.
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2019.06.13 18:43 euamocachorros79 Nietzsche e o mito

Se você, através de algum dispositivo infalível, obtivesse a certeza de que o tempo é uma ilusão, e que todo e qualquer ato vivido até agora, os que serão ainda experimentados e até mesmo o presente momento em que seus olhos percorrem essas linhas, coexistem simultaneamente no mesmo ambiente, o que faria? Mais do que isso, encararia esse fato como uma condenação ou como uma benção? Como você escolheria viver, tendo a noção de que seus atos ecoarão pela eternidade para ouvidos ausentes?
Paula pensava saber a respostas para essas questões até sentir o solavanco da pistola semiautomática, calibre 9mm, em seu pulso, antebraço e ombro. Assim que o cheiro de pólvora e ferro tomou de assalto suas narinas e pulmões, disparando sinapses necessárias para reconhecer o que ocorrera, a boca, seca até então, começou a salivar no prenúncio atávico do vômito causado por choque. A mão suada e fria deixou escorregar a pistola até a mesma produzir um som vazio e seco ao encontrar-se com o chão. Paula não ouviu, seus ouvidos imersos num zumbido agudo e incessante.
A arma é um objeto inanimado, com partes móveis, capaz de produzir um resultado final coeso e definido desde que matéria-prima e demais entradas sejam ordenadas de maneira adequada. Movimento é vida. O disparo oriundo da pressão sobre o gatilho, o deslocamento do cão, a explosão controlada, a trajetória do projétil, todos movimentos. A pistola, ainda que brevemente, vive. Armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas. O ciclo da vida repete-se, novamente e mais uma vez.
Os vidros protegidos por película escura escondem o interior do carro, ao sair do condomínio fechado na Zona Oeste da cidade. Melhor assim, uma vez que ninguém deveria ver uma mulher tentando controlar as lágrimas e retomar o controle da própria vida. A tensão mostra-se péssima carona, desviando o foco do tráfego e quase causando uma colisão entre um motoboy e sua Ranger, ainda na esquina do conjunto habitacional. Ela entende o custo de um possível acidente agora e agradece mentalmente a intervenção divina que a fez acionar os freios a tempo de impedi-lo. Respira fundo e ignora os xingamentos gritados pela quase vítima, enquanto retoma a marcha que a afastará do pesadelo recente.
A pobreza na infância e juventude não impediu sua formatura em Pedagogia numa universidade pública, e posteriormente, uma especialização em filosofia da educação. Paula manifestara interesse em diferentes correntes de pensamento durante sua vida acadêmica. Leitora ávida dos filósofos alemães, americanos, japoneses e dinamarqueses, encontrava acolhimento para suas neuroses e crises de insônia no existencialismo. A falta de uma figura paterna sólida coletava seus impostos à noite, impedindo o sono e imprimindo um ritmo acelerado na busca por aprovação e reconhecimento de homens mais velhos. Ela queria casar, constituir família, ser uma pessoa boa para os que amava e para o restante da sociedade.
O tenente reformado, duro e simples, com um leve desvio na dicção que o fazia soar como alguém que possui a língua presa, sentia-se sozinho após o segundo divórcio. Seus filhos, homens adultos, cada um com seus projetos e ambições particulares, mantinham uma relação afastada e formal, oriunda das regras de casa. Jairo queria atenção, carinho e respeito de uma mulher jovem, submissa e alheia ao seu passado. Não suportava a noção de ter que manter contato civilizado com as ex-mulheres, ingratas na sua concepção, que haviam corrido de casa no instante em que se achavam merecedoras de pensões, incapazes de perceber o quanto ele tolerava suas necessidades por cirurgias plásticas, sessões de massagens linfáticas e uso irrestrito de cosméticos numa tentativa fútil de voltar no tempo.
Fulminados por uma paixão arrebatadora, nove dias após conhecerem-se num debate sobre a gratuidade da educação pública, ela favorável, ele contrário, Paula e Jairo começaram um relacionamento que seria responsável, anos mais tarde, pela geração de uma menina linda e vivaz, Carolina. Apesar da divergência entre seus posicionamentos, viveram em relativa harmonia até o dia em que, tentando se impor em uma discussão doméstica, acerca dos valores a serem ensinados à filha, Jairo soltou a palma pesada contra o rosto, de pele macia e branca, de Paula, entre as quatro paredes do quarto do casal. Em estado de choque, ela não reagiu e os golpes repetiram-se, uma, duas, três, incontáveis vezes. Após a surra, Jairo deixou o quarto e arfando, sobre o ombro, disse:
- Olha o que você me fez “fasser”.
Ela não respondeu, apenas tentava abafar o choro contra o travesseiro, deixando na fronha olhos, nariz e boca molhados numa caricatura horrenda de si. O medo pela segurança de sua filha, a sensação de impotência e o ódio começando a cozinhar um caldo amargo dentro do peito.
No banco traseiro da Ranger, Carolina pergunta para a mãe o motivo de ser buscada mais cedo na escola. Paula, pensando nos seus filósofos preferidos, responde a filha suspirando, o motor do carro num som ritmado, buscando um rumo novo:
- Eu escolhi viver. Te amo filha.
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2019.04.11 12:21 Thalles-Monari O Sagrado Masculino

Galera, vou deixar aqui um texto que mexeu bastante comigo recentemente, que toca diretamente nessa luta pela cura da essência masculina, que é corrompida estruturalmente.
Tirei ele do Facebook, do perfil: Aldeia Xamânica Florescer.
Vale a leitura!!
O Sagrado Masculino
Um masculino curado é aquele que com muita coragem, conseguiu resgatar a essência do feminino sagrado dentro de si, e por isso consegue honrar e proteger o feminino que se manifesta fora, na forma de mulher, na forma da Mãe Terra.
Mesmo já tendo nascido com suas camisas de futebol e jogos de lutinha, estes homens decidem conscientemente ser ou não competitivos, pois compreendem os princípios da irmandade, da cooperação e respeito.
Mesmo que durante toda a sua vida tenham visto o corpo da mulher sendo propaganda de todo tipo de produto (de carro a cerveja), não escolhem suas parceiras pela medida do silicone, pelos músculos definidos do abdome ou por uma bunda perfeita... mas pelo gosto, pelo cheiro, pelo ritmo, pela frequência e conexão da alma, mente e coração.
Mesmo que a pornografia tenha regido os primeiros movimentos desta sexualidade, o masculino curado já não mais se alimenta de uma psicogênese de fantasias, mas sim de verdadeiras sensações, o que permite que ele realmente se empenhe em conhecer seu corpo e o corpo de uma mulher.
Ao se relacionar intimamente, o Masculino Curado se aceita vulnerável; mesmo que "homem não chore", este é capaz de entrar em contato com suas emoções, é capaz de externalizar o que sente e de receber os processos internos de outros.
Assim, é totalmente auto responsável na cura e manutenção de suas relações. Estes homens, ao terem filhos, sabem que o cuidado não é de exclusividade da mãe; mesmo tendo tido uma infância de carrinho para meninos e bonecas para meninas.
Ao ver sua mulher tendo um filho(a), o masculino curado honra e admira ainda mais sua parceira.
Mesmo não tendo sido estimulados a se conectar com a Mãe Terra, estes homens são cuidadores, prezam pela sustentabilidade, pelo consumo consciente.
Por conhecer da Mãe Terra, se tornam capazes de honrar e respeitar os movimentos cíclicos das mulheres. Compreendem os ciclos de impermanência da vida, desenvolvendo consciência, estabilidade e equanimidade em seus processos. Compreendem seus próprios ciclos de vida; assumindo seus papéis e as responsabilidade de cada novo momento.
Indo além da ditadura da juventude, este homem cíclico se permite também envelhecer; não precisa de mulheres mais jovens e nem de carros maiores. Ele sabe o momento de se retirar, e sabe de sua importância como pilar de manutenção da sabedoria na família e em toda a sociedade.
Eu honro e me curvo diante deste masculino sagrado, que se cura, que tanto se arrisca a reinventar-se, a criar uma nova história, a romper as crenças e padrões. E convido a todas as mulheres a fazerem o mesmo, abrindo espaço e dando coragem para que estes amigos, filhos, pais e companheiros possam se redescobrir dentro desta sociedade... de homens e mulheres patriarcais.
Um grande SALVE a todos os homens que escolheram crescer em consciência!!!
Fonte: Morena Cardoso - Danza Medicina
Ilustração: Harbinger Renegades

sagradomasculino

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2019.04.04 05:48 lksdshk 25 anos minha carreira é um fiasco. Trabalho, mas me sinto subutilizado em atividades que não me agregam em nada

Sou formado em engenharia de produção numa faculdade privada meio peba desde 2018. Tenho um inglês razoável. Vou encurtar minha carreira assim conforme CLT
1- Menor aprendiz, SENAI, 6 meses pedi pra sair porque nao estava gostando mas terminei o curso
2 - 19 anos, indústria, 3 meses de experiência como operario em uma boca de porco, demitido.
3 - 20 anos Aeroporto durante a Copa, 3 meses, sai porque após a Copa não tinha mais gringos para praticar o inglês, o horário e localização de trabalho eran péssimos para mim
4 - 22 anos. Auge. Trainee em uma Big4. Status, salário bom...8 meses saí no corte por não ter me adaptado a auditoria contábil, cometi outros erros, trabalhei mal, minha inteligência emocional era zero ainda.
5 - 23 anos, estágio em uma empresa recém nascida, tirava 2k limpo! Dava o sangue lá, queria fazer as coisas funcionarem e praticar o engenheiro que tinha em mim. Dava ideias, testava controles... Porém, um costa quente antigo e conhecido dos donos não gostava de mim e um dia quase saimos na mão após ameaças dele. Nao fiz nada diretamente pra ele exceto um dia que fiquei puto quando ele fez algo mal feito e que não funcionaria para mim, teimoso e cabecinha, era de suar a camisa. Fiquei 4 meses e após esse fato me demitiram pra ficar com ele. Meses depois ele foi demitido porque era inútil mesmo.
6 - Assistente de Planejamento Logístico, atual.
A galera é gente boa, estou enturmado... porém, estou começando a ficar frustrado pois minhas atividades não envolvem planejamento nenhum. São séries de corno jobs e atividades que alguém numa área Estratégica da empresa como a minha não deveria fazer. Eu tenho uma mentalidade de métodos e processos e desperdício zero. Eu detesto apagar incêndios e fazer coisas de outras áreas. Eu realmente detesto a cultura da empresa de servir como intermediário em troca de emails, pois não há fluxos definidos. Exemplo, hoje fiquei um pouco puto de ter que ver com um fornecedor um dia e horário de uma reunião que eu sequer vou participar, quando o colega do meu lado estava nos emails e é com ele essa parada. Só fiz um trabalho analítico nesses 6 meses, apesar disso, eu peguei e entendo muito mais que a menina que estava no meu lugar sobre a Operação de Logística. Com 3 meses tive um feedback positivo, a chefa disse que eu participaria mais de reuniões, projetos...nada disso vem ocorrendo. Me sinto um estagiário idiota e não alguém com diploma superior.
Outro exemplo, uma parte da equipe foi para outro ESTADO fazer um treinamento numa filial. A tarde um dos coordenadores mandou email dizendo que ficaram desprovidos de "coffee break" e que queriam um para amanhã. Sério. VSF. Quer que eu ligue numa padaria do Paraná, dimensionar o pedido...nem vou terminar de escrever porque já fiquei nervoso. A trainee foi atrás disso pois foi ela quem organizou um similar recentemente. Eu caguei pra isso. Outros exemplos de atividades que eu faço/esperam que eu faça:
Solicitação de compras de cadeiras foi mais recente; material de escritório; pagamento de boletos de serviços feitos em outras filiais mas por demanda corporativa, cuidar do "caixinha", sacar o dinheiro das despesas do caixinha no banco; solicitar viagens e hospedagem; organizar uma planilha de programação de um cliente e intermediar contestações de dias das filiais (comercial pra que?); analisar reclamação de clientes (criei um CRM primitivo e analítico); votação de destaque do mês (ganhei em janeiro); solicitar ajuste de pagamentos realizados em nosso Centro de Custo mas que são serviços/produtos de outros lugares, imprimir e distribuir folha de ponto. Representar o setor em reuniões inúteis.
Esses dias me zoaram que eu estava começando a dar "sabonetadas", ao tentar delegar para outros ou questionar se tal coisa nao deveria ser outra área a fazer. A trainee disse que isso era uma característica boa em minha personalidade, significa que tenho visão de onde cada coisa deveria estar e o que fazer. Gosto da equipe, eles gostam de mim, já falaram que sou bom e tal..mas me sinto é um burro de carga.
Me entristece pois novamente sinto que estou no lugar errado pela SEXTA vez. E novamente estarei procurando emprego "entry level" e não tenho expecionalidade nenhuma. Tenho interesses profissionais diferentes...o que me salva é inglês e excel.
A única coisa que me mantém motivado nessa empresa é fazer cursos de excel da Impacta e o Gympass.
Mudar de área nao adiantaria. Já estou no setor que cuida do carro chefe da empresa. Eu deveria estar analisando resultados financeiros, propondo processos, tecnologias, estratégias...estou sendo otário?
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2018.10.24 03:21 TristanVonLoppeux Sobre o aborto e um comentário do sub

Escrevo esse texto pois sou contrário a legalização do aborto e favorável a sua interpretação como assassinato de incapaz, mas desejo ter minha posição contra-argumentada. A seguir exponho o comentário (lv2_thug) que me motivou a escrever o texto e minha argumentação contra a posição dele.

A lei permite aborto no caso de estupro. Ok.
E se tivesse nascido? Seria a mesma coisa matar o bebê do que ter abortado?
Se sim, então fala pra todas as mulheres que engravidaram do estuprador que elas são assassinas. Vai lá, vou comprar pipoca e assistir de longe.
Se não, então acho que está definido que o aborto não é assassinato coisa nenhuma.
Obs.: Na faculdade vi muito parto de menina de 15, 14, 13 anos que engravidou de Zé Droguinha. Eu pagaria do meu bolso para oferecer uma alternativa a essas mães para essas crianças não nascerem, pode ter certeza.
Entendo o problema, sou médico e passo por experiência semelhante. Porém tenho algumas divergências contra a sua interpretação dos fatos.
  1. Se algumas pessoas não se sentem como se tivessem cometido um assassinato ao provocar um aborto, da mesma forma há pessoas que se sentiriam dessa forma. Logo, a forma como um se sente não é ideal para definir isto.
  2. Também, a ideia de que cada um deve ser livre para fazer o que bem entender não se aplica aqui, pois estamos tratando de um assunto que dependendo da definição poderíamos estar matando um terceiro ou não. Defender a ideia de que deve ser legal porque cada um age segundo a sua consciência seria o mesmo que defender a legalização do homicídio, por exemplo.
  3. Desde a fusão entre o óvulo e o espermatozoide o embrião já carrega um DNA humano próprio que irá o acompanhar ao longo de toda a vida. E poucas horas depois da fecundação já há tecidos diferenciados que realizam funções diferentes. Ou seja, um embrião é diferente de um dedo amputado ou um pedaço do seu fígado. Um embrião é um ORGANISMO HUMANO VIVO diferente da mãe já desde poucas horas após a concepção.
  4. Visto isso, o embrião não é uma criatura diferente, mas sim um ser humano em estágio de desenvolvimento diferente, assim como criança, adulto e idoso são estágios diferentes do desenvolvimento. O fato de sentir dor ou não, ter sistema nervoso completamente formado ou não, é irrelevante para defini-lo como ser humano ou não.
  5. Quando utilizam-se de critérios como a capacidade de sentir dor para discricionar se pode ou não mata-lo, o que se está tentando fazer na verdade não é definir quando começa a vida, pois isso já sabemos, mas sim definir quais vidas são valiosas e quais não são.
  6. Se o embrião é um ser humano vivo, indefeso e sem culpa, por qual argumento moral se torna justificável matá-lo?
  7. A única alternativa moralmente viável para matá-lo, acredito eu, é em casos onde é moralmente aceitável matar qualquer outro inocente. Ou seja, quando a morte do inocente é inevitável e antecipar esta morte pode salvar a vida de outros. Neste caso, me refiro aos abortos de gravidezes tubárias ou outras anomalias inviáveis e que põem em risco a vida da mãe.
  8. Por outro lado, se aceitarmos a noção de que é justificável matar o embrião em outras situações, como por exemplo um estupro ou pela vontade da mãe, o que estamos dizendo é que é justificável matar um ser humano inocente para 'resolver' um problema que há outros meios de se resolver sem matar ninguém.
  9. Nos casos de estupro, algumas medidas imediatas como apoio psicológico, prisão e castração química do estuprador, junto a trabalho forçado para restituir a vítima pelo resto de sua vida é um caminho melhor do que matar um inocente.
  10. E claro, há medidas de longo prazo que podem e devem ser buscadas, como o fim da cultura do crime e da promiscuidade (Não só estupros aumentaram, mas em dez anos a prevalência de sífilis no Rio de Janeiro aumentou em 40 vezes. Há diversas crianças nascendo com retardo mental congênito por conta disso. Enfim, é um problema bem mais abrangente).
  11. Sobre chamar mulheres estupradas que abortam de assassinas. Já viu algum caso de mulher que abortou e foi presa por isso? Não, né? Pois bem, mas e clínicas de aborto, médicos e outras pessoas que fazem abortos no país? Ah, esses sim. É óbvio que nenhuma promotoria ou juiz em sã consciência vai interpretar que uma mulher passando por esse inferno de situação é culpada ao ponto de ir presa, mas é claro também que a proibição da prática torna possível prender pessoas que fazem o ato de abortar uma profissão ou fazem lobby disto no país. Quando legalizada, mesmo que somente em casos de estupro, o que impede empresas do ramo de realizarem lobby para expandir cada vez mais a idade gestacional e aumentar sua margem de mercado? Nada, e foi exatamente isso o que ocorreu há poucos dias na Colômbia. Um país que já aceitava o aborto até 20 semanas agora o permite até poucos dias antes do nascimento. E, note, que assim como o Brasil, é um país cujo direito a vida é uma clausula constitucional.
  12. Se o embrião é um ser humano vivo, e o Estado deve garantir o direito a vida de seus cidadãos, a única interpretação possível para matá-lo é a de que o embrião não é ainda um cidadão (ser dotado de direitos) por motivos subjetivos x, y, z. E é exatamente este o caso.
  13. Se damos poder ao Estado para definir quais seres humanos tem valor ou não, onde diabos acha que isto irá parar?

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2018.09.21 06:07 Shiny-Caule A sociedade é mto escrota

É uma merda vivermos em meio a uma sociedade na qual toda e qualquer relação (pode ser profissional, amorosa, social, tanto faz) depende da sua aparência. Um cara jovem e que não está nos "padrões" da beleza masculina (corpo definido, bronzeado, cabelo bem cortado etc) é julgado pra caceta, pras mulheres eu imagino que seja a mesma coisa isso se não for pior. Eu sou aquele tipo de cara nerdzinho, que usa óculos, bem magrinho, cabelo normal e tal, toda hora vejo alguém que me julga, me trata diferente. O pior é quando as pessoas querem que você mude o seu jeito de ser apenas para agradar mais as pessoas, teve um dia que a menina me disse que só ficaria comigo se eu fosse mais fortinho.
Eu não vou mudar o meu jeito de ser não, mas ja to de saco cheio de conviver com tanto idiota ao redor. Sei lá, esse desabafo veio do nada, to sem sono e me veio a vontade de escrever algo e saí escrevendo e nem sei porque me veio isso na cabeça, talvez eu tenha algum complexo de inferioridade ou sei lá.
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2017.10.08 06:12 chupei Paixao Proibida

Eu queria pressionar a cabecinha do meu orgao contra o aperto do seu anus até as mucosas cederem espaço para a entrada do meu aparelho peniano.
Vc nao entende? O seu orificio Anal é uma obra de arte daquelas que só uma boa lambida pode apreciar, Iumi....
Vou comer esse cu mesmo que seja a ultima coisa que eu faça antes de deixar este planeta imundo. O seu rabo pode emitir fragansias mas ele tem dono ta me ouvindo. NAO IMPORTA que suas fezes sejam duras eu quero penetra-las com vigor. Seu papel na vida esta definido.
Paixao Anal me faz gozar. Paixao Anal me faz gozar. Paixao Anal me faz..... Uuuuuh
Olha começamos mau eu entendo. Mas agora deixe me lamber cada centimetro cubico do seu buraquinho enquanto me masturbo com seu caderno rosa. Menina o cheirinho disso tudo me deixa tao.... DURO.
UM BRINDE FILHA DA PUTA!!!!
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2017.10.08 05:58 chupei Paixao Proibida

Eu queria pressionar a cabecinha do meu orgao contra o aperto do seu anus até as mucosas cederem espaço para a entrada do meu aparelho peniano.
Vc nao entende? O seu orificio Anal é uma obra de arte daquelas que só uma boa lambida pode apreciar, Iumi....
Vou comer esse cu mesmo que seja a ultima coisa que eu faça antes de deixar este planeta imundo. O seu rabo pode emitir fragansias mas ele tem dono ta me ouvindo. NAO IMPORTA que suas fezes sejam duras eu quero penetra-las com vigor. Seu papel na vida esta definido.
Paixao Anal me faz gozar. Paixao Anal me faz gozar. Paixao Anal me faz..... Uuuuuh
Olha começamos mau eu entendo. Mas agora deixe me lamber cada centimetro cubico do seu buraquinho enquanto me masturbo com seu caderno rosa. Menina o cheirinho disso tudo me deixa tao.... DURO.
UM BRINDE FILHA DA PUTA!!!!
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2016.07.18 14:45 999Luzeiro A praia está perdida

publicação original no Medium
Eu sempre subi àquele terraço em dia de festa. A arquitetura brutal, o piso grafite e a irremediável falta de uma paisagem que preste (comum à capital, aliás), jamais foram capazes de reduzir a alegria que sinto ao visitar minha única irmã. Percebo, desta vez, que o luto se expressa pelas varizes nas paredes que rodeiam a escada, no metal frio e azedo do corrimão e, finalmente, na sensação de pisar em um cinzeiro proporcionada pelas placas erodidas do piso. A feiura é oportunista, e no dia de hoje, saiu em carnaval.
Lá estava o meu cunhado, abaixo de uma das pontas do varal, investigando pelos espaços vazios do gradeado uma possibilidade de escorrer pelas paredes externas do prédio de nove andares. “Você comeu, Felipe?”, foi o meu único cumprimento possível, e “Hum, comi” foi a única resposta que lhe pareceu honesta. É claro que comeu — alguma vez na vida — mas duvido que tenha tido estômago para reiterar tão prazeroso e exigente hábito, hoje. Hoje não, pois o meu cunhado, marido da minha única irmã, perdeu o único filho. Meu único sobrinho e afilhado. Minha dor não é pequena, mas no topo do pódio da orfandade inversa, temos a minha irmã, coroada de espinhos e de cama há dois dias. Em seguida, Felipe Remador, estático no terraço em pleno inverno e com o estômago vazio. Talvez eu em esteja em terceiro lugar, junto com a namorada do Léo, não sei. O que sei é trago as notícias, como um relâmpago invisível que transformará os tímpanos do ouvinte em peito.
“Escuta, Felipe.” E descrevo como um apresentador de telejornal excessivamente soturno o desdobrar dos fatos do dia: encontraram o corpo preso ao recife, poucas escoriações, a causa mortis foi mesmo o afogamento, está tudo acertado para o enterro amanhã, no Parque da Colina. Falei com a mãe da namorada, ela não vai, está em choque. Aquele menino, Raul, ainda não voltou a Belo Horizonte. Me ligou do celular do Léo, estava com uma voz tenebrosa. Está tudo pago, não se preocupa. Eu estou muito bem empregado e não é hora de falar disso. E dou sequência, como ventania: “Preciso te contar uma coisa, Lipe, o Léo me ligou no dia anterior ao sumiço, e a conversa estava mais estranha do que de costume…”
“Eu comi, sim. Tem macarrão, se você quiser.” E me corta como se nos falássemos pela internet, com enorme atraso. E começa a me contar do filho: coisas que eu já sei, mas só me resta ouvir mais uma vez.
Leonardo Remador nasceu com o cordão umbilical em volta do pescoço, sem choro e nem desespero. Nasceu sorrindo. O obstetra achou que estava se contorcendo pelo sufoco, mas não: era um sorriso mesmo. “Esse é forte, corajoso” — daí ‘Leonardo’ — disse, para encher o pai de orgulho, enquanto a enfermeira entregava o Príncipe aos braços da mãe. Era um Príncipe, quase enforcado, porém um Príncipe, como são todos os recém-nascidos após a Proclamação da República. Não parava de se mexer e olhar ao redor, como se procurasse por mais um corda para se amarrar, e se apertar.
Começou a andar com oito meses (o que o pediatra considerou um recorde) mas o pai já reparava que muito antes o guri já ensaiava ficar de pé. Era uma brincadeira nervosa: apoiava-se nos joelhos e esticava as pernas trêmulas, e em dois segundos caía. “Toda criança faz isso”, diz o pediatra sem querer estregar o encantamento do recém-pai. “Não”, continua Felipe, “ele não cai e chora. Ele cai a dá a maior gargalhada. E se levanta e se joga de novo. E ri. Se já soubesse falar ia chamar isso de ‘brincadeira da gravidade’, sei lá”. E descreve a forma como o filho olha para baixo ao cair, como se quisesse testemunhar cada segundo do trajeto. “Às vezes o Léo tem um senso de humor maior do que o das outras crianças”, desconversa o jovem doutor, voltando os olhos adestrados ao monitor adestrador do computador.
Aos cinco anos chorava e dava escândalos quando o pai se negava a dar uma volta de motocicleta com ele pelo quarteirão. Quando o seu desejo era atendido aos finais de semana, voltava para casa dócil e calado, prestes a cair no sono e recompensar os pais com o silêncio que o casal tinha antes do Príncipe ter vindo ao mundo.
E ele foi ao mundo: no futebol, só jogava como goleiro pois nas outras posições não podia atirar-se pelos ares e havia menos risco de levar uma bolada na cara. Na natação, perdia as instruções do professor por se interessar mais pela apneia. Se deu melhor nas artes marciais, para o desespero de sua mãe que não suportava ter que aplicar curativos duas vezes por semana. Finalmente, na puberdade, a coragem e o senso de humor exagerado tornaram-se insuportáveis. Gostava de provocar o pai pelo simples prazer de escutar sua voz engrossar e ameaçá-lo. Sentava-se na janela para ouvir música e balançava-se para frente e para trás em um ângulo cada vez menos agudo, cantarolando sossegado até que a mãe o via do corredor e gritava de susto. Só se interessava pelas garotas que já tinham um namorado, e aos treze anos voltou para casa com um olho roxo e os lábios rasgados por roubar um beijo de uma garota mais velha que estava a dois metros do cara mais velho ainda que a namorava. Os pais concordavam que aquilo não era rebeldia pois sempre que aprontava alguma o adolescente passava os próximos dois ou três dias obediente e calmo. Ele tinha ideias que beiravam a burrice e após um longo ano de acidentes e notas baixas, foram atrás de especialistas, pois o primeiro médico que o tocou estava mesmo errado. Leonardo, segundo o psicólogo, era um bom rapaz, mas era melhor ir ver um psiquiatra. O psiquiatra — que por curiosidade saltava de para-quedas nos finais de semana — também não viu nada de errado no garoto, mas por via das dúvidas, recomendou um amigo neurologista. Após mapear o cérebro de Léo, confirmou a boa saúde mental do rapaz, mas seguiu uma pista em sua circulação sanguínea nos exames de rotina que o levava a crer que o nível de adrenalina era muito mais alto do que o normal. Com a ajuda de um endocrinologista constaram que a coragem de Leonardo era na verdade uma doença rara em suas glândulas renais que produziam uma quantidade excessiva daquele hormônio, viciando das íris aos pulmões, passando pelo coração e todos os músculos. O pai teve que vender a moto e um carro, mas pagaram o tratamento e aos dezesseis Léo já não andava mais com sua bicicleta sem freios pelo bairro. Apesar de não ser dos mais espertos ou um dos mais bonitos, tinha um talento único com as mulheres, já que a possibilidade de rejeição o atraia, coisa que não existia em homem algum. Aos dezenove, arrumou uma namorada sem namorado, Júlia, e achava o máximo quando a menstruação dela atrasava alguns dias, e é claro que não era nem um pouco favorável ao uso de preservativos. Dizia apenas que era uma pessoa simples e que gostava das diversões curtas pois a vida, em si, era mesmo curta. Raul, um dos seus amigos mais antigos, ria e dizia que o problema é que os momentos simples de Léo poderiam encurtar a vida mais ainda. Era grato ao parceiro, pois mesmo sem se interessar por um baseado, Léo era o único disposto a entrar com ele nas favelas para comprar aquele mato amassado.
Apreensivos, os pais viram o garoto tirar a carteira de motorista. Nenhum problema, a não ser as multas por excesso de velocidade que eram pagas pelo próprio rapaz, que se virava na papelaria do pai do Raul. As pessoas que conviviam com ele acabaram se acostumando e até mesmo os pais deixaram de se preocupar tanto e esqueceram que “o jeito dele” era um problema sério. Júlia, segundo um psicanalista freud- ou junguiano (precisamos diferenciar charlatões?), no fundo morria de tesão por caras irresponsáveis, Raul (nas palavras de uma pedagoga do Ensino Médio) também não era exemplo de comportamento e assim Leonardo tocou sua vida abusando da sorte.
Acontece que, mineiro que era, Léo poucas vezes foi ver o mar, e só o fez ao lado dos pais, que não gostavam muito de areia. Aos vinte e um foi ao litoral capixaba com Júlia, amigos dela e o tal do Raul. Uns dois ou três dias antes da data da volta para casa, Léo me ligou. Ouvi o pequeno trip journal que, não sei porque, decidiu me contar ao custo de todos os créditos do seu pré-pago. Começa bobo e vai escurecendo, como a apresentação de um palhaço trágico, e eu me arrependo de não ter anotado algumas partes, ou gravado a conversa toda.
Em janeiro, o sol derramava-se do alto e refletia na areia e no mar, queimando sua pele branca e agredindo seus olhos não muito escuros. Gostou daquilo, mas logo à frente estava algo que o seduzia muito mais, o próprio mar. Não entendia como tantas pessoas aguentavam ficar o dia inteiro sentadas em cadeiras de plástico bebendo e comendo ao redor dos quiosques sem nem se aproximar das ondas. Logo no primeiro dia, subiu com Raul em um morro baixo com os pés descalços e sentaram-se em rochas negras que um dia formaram um coral. Enquanto o amigo apertava um, viu uma mulher alta e bronzeada, de cabelos morenos e músculos bem definidos mergulhar nas águas e nadar por quatro minutos, sem parar, traçando uma linha quase reta. Ao distanciar-se da praia, as ondas tornaram-se maiores e algumas pessoas já acenavam para que ela voltasse. Desapareceu atrás das ondas por alguns segundos, e, depois, sorrindo, nadou de volta como se estivesse em uma piscina rasa. Gostou daquilo.
Nadou com Júlia um bom tempo pela tarde, sem se arriscar de mais. Toda vez que olhava para a linha do horizonte, se distraía a ponto de deixar de escutar o que a namorada falava. Lembrou-se de como aquela morena conseguiu ir tão longe com tanta calma. Gostou daquilo, mas gostou de mais. À noite, após uma bebedeira na casa dos pais de um dos amigos de Júlia, Léo teve sonhos agitados. Quando acordou, lembrou-se de três: primeiro, mordia o cano de uma arma de fogo que um homem encapuzado que apontava para sua cabeça, rindo da falta de coragem do assaltante em disparar. Em outra situação apontava para a namorada que trocava de roupa, mostrando para Raul. Por fim, sonhou que nadava no fundo de um lago e respirava normalmente embaixo d’água, sem precisar voltar à superfície.
Saiu sozinho para comprar pão e o que mais precisassem. Como em qualquer cidadezinha do litoral do Espírito Santo, encontraria uns cinco botecos para cada padaria ou mercearia — se a mercearia vender cerveja, não sei dizer como ficaria a conta, mas enfim, por uma questão estatística decidiu tomar uma antes de cumprir a sua missão de levar comida à namorada e aos amigos.
Ao final da primeira garrafa daquela cerveja fraca mas bravamente gelada, Léo olha em volta e percebe a presença da nadadora alta e morena. Não a tinha visto ali, sozinha na outra ponta do balcão, que era em éle e permitia tal ponto cego. A moça olhava para ele e achava graça da miserável atitude do menino de quase torcer a garrafa que já havia acabado. Ofereceu a sua, cheia, e lá vai Léo conversar fiado com uma mulher linda e aparentemente solteira ao invés de levar pão para a namorada. “Ela achou o meu sobrenome o máximo, tio. Disse que eu devia nadar muito bem, porque, ‘Remador’, né. Mas já devia estar bêbada. Achava graça de tudo. Meio doidinha, acho que não estava me dando mole, só tentando escapar de um cara lá que não parava de mexer com ela. Mas eu não vi o cara. Eu estava tranquilo também, cê sabe que eu gosto muito da Júlia. Mas então, cê lembra daquela menina que nadava comigo na equipe da escola? Você já deu carona pra ela. É a cara, tio. Eu pensei que fosse ela.” Tirei o celular do ouvido para ver o tempo da conversa no display. 52 minutos. E o menino não parava de falar. “Vai comprar o pão, ô sem vergonha.” E ele me obedeceu e desligou.
Olha, apesar dos quarenta e poucos, eu sou um homem bonito. Na verdade, eu sempre fui. E mesmo assim, uma morena dessas nunca me abordou em boteco copo sujo de praia. Só uns tios e uns hippies para me pedirem o isqueiro. E eu adoro morenas, Léo.
Léo.
O que aconteceu com você? O Raul me contou de uma briga com um rapazinho local — aliás, eu preciso achar o Raul — e agora as hipóteses florescem na minha imaginação, que não tem sono desde o contato da polícia.
Passaram os próximos dias longe da praia, fazendo trilhas e visitando os arraiais à procura de festa. Com Júlia sentada em seu colo (eu só via vocês nessa posição, encaixavam bem, até), estava em um boteco ao lado da praça da igreja de uma vila. Bebiam cerveja e viravam doses de cachaça da pior qualidade enquanto um forró soava indecifrável abafado pela voz de umas dezenas de pessoas que ocupavam as calçadas. Foi surpreendido por um grito de Raul que levantava a voz para um adolescente, prestes a agredi-lo. Pediu para Júlia levantar-se, a garota não atendeu imediatamente e quase foi derrubada no chão por um homem de sorriso estranho que até o minuto anterior era o namorado que com carinho passava as mãos quentes em suas pernas. A coragem imbecil que custou um carro e uma moto ao pai de Leonardo agarrava o adolescente pela nuca e bateu o rosto do rapaz com força em um banco de madeira e ferro da praça. Enquanto o sangue corria, alguém acertou uma cadeira nas costas de Léo, enquanto três ou quatro homens mais velhos corriam atrás dele, que escapava. Sumiu no mato, rasgou a perna esquerda nos galhos (uma das escoriações não era de coral, mas aparentemente de vegetação rasteira) e encontrou uma estrada de terra que seguiu por mais de uma hora caminhando devagar, sentindo seu corpo em chamas por conta do coração que parecia ter dobrado de tamanho.
Não sabia o motivo da briga de Raul e nem se importava. Também não se importava da grosseria com a namorada e nem com o fato de que provavelmente alguns homens o perseguiam em uma caminhonete, moto ou jipe com pedaços de pau ou uma pistola semi-automática embaixo do banco. Exausto, alcançou a praia. Sentou-se na areia e viu o sol nascer, vermelho como se estivesse se pondo. Realmente, o sol se punha para você, meu afilhado. Viu uma pessoa caminhar onde as ondas quebravam, chegou mais perto e reconheceu a mesma mulher de cabelos negros que viu no primeiro dia no litoral. A do bar (que… coisa é você, mulher? Shinigami?). Ela ignorou sua presença e mergulhou, nadando mais uma vez em ritmo forte e veloz, até desaparecer na espuma de uma grande onda que quebrou prematuramente. Mergulhou também. Seu corpo em chamas mal percebeu como a água estava gelada. Nadou em compasso olímpico esticando todos os seus músculos, estirando seus pulmões, sugando todo o ar salgado que havia em quilômetros cúbicos. Sem parar as braçadas, abriu os olhos e viu que a mulher nadava ao seu lado, fechou os olhos que ardiam com o sal e quando abriu de novo, ela já não estava mais lá. Quando finalmente parou, viu que ela voltava, derrotada e humilhada pelo novo recordista daquela praia.
Enquanto a água esfriava, olhou para o céu e ficou finalmente satisfeito de uma forma irracional, a única forma que sentia-se satisfeito na vida. Todo o seu corpo vibrava, o prazer era tão grande que balançava os pés sem cansar pra manter-se na superfície sem se cansar. Quando o corpo doeu pelo frio que fazia, decidiu voltar, mas quando olhou para a praia, ela estava distante e uma névoa baixa ia convertendo-a em um ponto invisível naquela imensa massa azul. O corpo esfriou, os pés pararam de se mover, os braços penderam-se ao lado do quadril. Quanto maior o músculo, mais forte a dor da cãibra, e as panturrilhas de Léo pareciam dois mamões. Afundou em silêncio, e sonhou de novo. Sonhou que nadava em um lago escuro e podia respirar embaixo d’água. Sonhou que estava na praia e nadava em direção ao horizonte. Quando quis voltar, a praia estava perdida.
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